Diário de Classe


CALENDÁRIO POÉTICO

Caros amigos, colegas, visitantes e afins. Depois de um loooooooongo período, me lembrei deste espaço, pois ele recebeu ilustres e bem vindas visitas.
O ano passado foi marcado por grandes conquistas profissionais. Além de tudo que eu aprendi, todas as pessoas bacanas que eu conheci, e o lance de trabalhar como formadora de educadoras de creche... Teve o sabor de ser selecionada para o Prêmio Professor Nota 10, da Nova Escola e da Fundação Victor Civitta, com esse projeto almanaque aí debaixo. Foi muuuuuuuuito gostoso... Muito mesmo.
Voltei pra contar sobre o meu projeto do ano passado, o CALENDÁRIO POÉTICO.
Ele foi realizado no SESI, com crianças de 5 anos. Olha só que gracinha ele ficou:

Compartilho com vocês aqui um registro que fiz do projeto para as famílias e pessoas que foram presenteadas com um exemplar do nosso calendário. Espero que vocês curtam!
Quem quiser saber mais, ou trocar figurinhas, já sabe - Email-me! Hehe. karicabral@hotmail.com.

 Escrito por Karina às 16h31
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CALENDÁRIO POÉTICO - PARTE II

COMO E POR QUE ESTE CALENDÁRIO FOI FEITO?
A idéia de trabalhar com poemas surgiu da necessidade de ampliar o repertório literário das crianças, aproveitando para chamar a atenção deles para aspectos da poesia, como as rimas, a disposição das letras no papel e a característica lúdica e bela desses textos. Além do quê, quanto mais textos eles tiverem na memória, mais poderão arriscar-se a escrever e pensar sobre a escrita mais tarde.
Ao perceber a enorme alegria com que as crianças recitavam os poemas, percebi que eles seriam um mote muito interessante para bolar atividades de leitura e escrita, dentro de um projeto.
Precisava fazer algo que fosse realmente lido e utilizado pelas crianças e suas famílias o tempo todo - um portador de texto realmente útil e visível. E aí veio a idéia de montar um calendário poético para o ano de 2006. Fiz a proposta às crianças e começamos a trabalhar.

Calendário Pronto
Disse a eles que iríamos fazer um calendário poético. Inicialmente, as crianças analisaram, leram e compararam diversos tipos de calendários. Folhinhas, cartões, panos de prato, calendários de mesa, imãs... Lemos textos sobre por que as pessoas precisam marcar o tempo, e também sobre como surgiram os calendários. Então, os alunos escolheram fazer o calendário de folhinha, onde teríamos mais espaço para escrever e desenhar.

Kesia analisando um calendário de mesa com os amigos
Eu precisava garantir que as crianças soubessem bem os poemas de cor. Por isso, o próximo passo foi gravar com eles um CD com a leitura dos poemas preferidos da classe, que foi reproduzido para que todos ouvissem e decorassem os poemas em casa.

Tainã gravando o título de um poema, que depois virou CD
Confeccionei para eles fichas de leitura dos poemas, para que fossem se acostumando a lê-los e vê-los escritos no papel As fichas ficavam à disposição deles para que vissem nas horas dos cantinhos e de brincadeiras, e pra que levassem pra casa quando quisessem.

Rafa lendo poema "Trem de Ferro", de Manuel Bandeira. Prometo que um dia ainda aprendo a tirar fotos decentemente. Hehe.

A seguir, em duplas, as crianças construíram o calendários para os doze meses do ano. Com a minha ajuda, eles foram tentando fazer hipóteses sobre como esses números eram organizados, escritos e sequenciados. Nem todos os alunos conseguiram dar conta dessa tarefa, que era dificílima mesmo. Mas o fato de todos terem tentado e terem entrado em contato com isso já foi um ganho enorme.

Isabella e Natália escrevendo números na folha do calendário

Como ficou quando elas terminaram
Realizamos atividades de leitura e escrita para ler e escrever os nomes dos meses, e escolhemos os doze poemas que mais gostamos. Nessa hora, as crianças tiveram que trabalhar bastante, pois tinham que decidir detalhes sobre o calendário ( tipo de papel, cores, como seriam escritos os nomes dos meses, tamanho das folhas, etc ) e também colocar em xeque suas hipóteses de leitura, com atividades feitas em grupo e individualmente. Foi difícil, mas muito bacana!

Dani fazendo tentando adivinhar onde estava o nome do mês de agosto
Decididos os poemas, fui eu quem tive muito trabalho. Tive que analisar bem em que parte do caminho cada criança estava, com quem poderia fazer uma dupla produtiva de trabalho, que desafio seria mais adequado para ela... E procurei planejar tudo de maneira que, ao mesmo tempo em que eu estivesse dando uma proposta de escrita para uma dupla, as outras crianças se sentissem motivadas para produzir as ilustrações. Foram escolhidos por mim doze técnicas diferentes de artes - uma para cada poema.
Colocamos a mão na massa e fomos construindo nosso calendário, passo a passo.


Tarjeta de cima, com a identificação da escola e o nome do calendário, feita também pelas crianças.

 Escrito por Karina às 16h30
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CALENDÁRIO POÉTICO - PARTE III

MÊS DE JANEIRO
O poema das Borboletas, de Vinícius de Moraes, é de empatia imediata das crianças. Foi o primeiro que eles decoraram e o que eles mais gostaram de ilustrar. A atividade de leitura e escrita foi realizado por uma dupla de crianças. O desafio proposto a elas era o de, usando o alfabeto móvel e as próprias palavras do texto, completar as palavras que faltavam. A ilustração foi feita com uma técnica sugerida de montar, com tinta carimbo e as pontas dos dedos, um jardim de borboletas.
MÊS DE FEVEREIRO
O poema A foca, de Vinícius de Moraes tem estrofes de métrica perfeita e rimas tradicionais.
O trabalho proposto à dupla de crianças era observar ler as palavras escritas e, a partir delas, completar as palavras que faltavam.
A ilustração foi feita a partir de uma folha com a interferência de uma foca, desenhada as crianças tinham a tarefa de criar o cenário a partir da idéia do poema.
MÊS DE MARÇO
Este mês reservou uma atividade de leitura para a dupla. Entre muitos nomes escritos, as crianças, usando suas idéias de leitura, precisavam achar o título do poema "Era uma vez" de Sérgio Caparelli, o preferido das crianças. Depois, eles tinham que localizar e marcar no texto todas as aparições da palavra "gato". O trabalho de artes foi feito combinando o uso da caneta preta com o lápis de cor e/ou giz de cera.
MÊS DE ABRIL
Aí temos outra atividade de leitura. O poema foi dado às crianças com as estrofes recortadas e misturadas. A tarefa era organizar e montar o poema na ordem correta, usando apenas as pistas que o próprio texto dava. Depois, eles localizaram no texto a palavra Corujinha e escreveram o título para o poema de Vinícius de Moraes. O trabalho de artes também foi um desenho com interferência - as crianças criaram o cenário e depois colaram uma corujinha pintada e recortada nele, fazendo uma composição.
MÊS DE MAIO
"O Ar" é um poema divertido e cheio de possibilidades, pois brinca com o invisível, o que não tem forma nem cor.
Para escrever a última estrofe do poema, a dupla de crianças usou dois caminhos. Um, o de procurar ler no texto as palavras que se repetem e copiá-las. E o outro, o de arriscar-se a escrever do jeito que achavam que era, sem correção.
O trabalho de artes foi difícil bolar. Como retratar em um desenho algo que não se vê? As crianças, em grupo, decidiram que a maior evidência do ar era o vento, que movimenta a pipa. E montaram seu trabalho, com materiais de colorir, caneta preta, papel colorido, cola, tesoura e barbante.

MÊS DE JUNHO
Quadrinhas tradicionais unidas ao talento do poeta Sérgio Caparelli resultaram num texto divertido e cheio de rimas, que as crianças adoram repetir. A idéia foi fazer o mesmo que a dupla do mês de fevereiro escrever as palavras das rimas com o alfabeto móvel, e depois registrá-las.
As crianças discutiram bastante, reformularam, e no final anotaram as palavras no papel.
O trabalho de artes foi um desenho temático, dirigido. Em cinco espaços, estavam cinco palavras-chave de cada quadrinha, que as crianças ilustraram com caneta preta e lápis de cor.


 Escrito por Karina às 16h30
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CALENDÁRIO POÉTICO - PARTE IV

MÊS DE JULHO
A música-poema "A Porta", de Vinícius de Moraes, é cheia de substantivos palavras que as crianças têm bastante facilidade para escrever.
No caso da dupla que escreveu nessa atividade, eles fizeram várias discussões e registraram, de acordo com suas hipóteses de escrita, as palavras que faltaram no poema. Para a ilustração, as crianças receberam uma folha com uma abertura, imitando uma porta. Ali, eles puderam bolar situações, usando a frente e o meio da folha. Os resultados foram muito interessantes!
MÊS DE AGOSTO
Este foi o único poema escrito totalmente pelas crianças. " A Pulga", de Vinícius de Moraes. Aqui, eles escreveram de acordo com suas hipóteses de escrita todas as estrofes.
O trabalho foi feito com tinta guache e pincel.

MÊS DE SETEMBRO
Mais uma vez, os alunos experimentaram usar suas estratégias de leitura para organizar as estrofes misturadas do poema "A Cachorrinha". É interessante ver como eles tentam descobrir a ordem das palavras usando similaridades e pistas, como verdadeiros detetives. A ilustração também foi feita com guache e pincel.
MÊS DE OUTUBRO
A principal tarefa dessa dupla de crianças era descobrir, entre os doze títulos, onde estava escrito "Uma Palmada Bem Dada", de Cecília Meireles.
Fazendo suposições sobre o tamanho da frase, as letras iniciais das palavras e as letras finais, eles foram eliminando possibilidades até descobrir o título correto. Parece simples, mas para as crianças é um grande esforço de leitura.
O trabalho de artes foi um desenho com lápis grafite grosso ( HB, 4B e 6B ). A falta de cor na ilustração reforça a impressão ruim que as crianças têm da menina manhosa, personagem principal do poema.

MÊS DE NOVEMBRO
O longo e genial poema de Manuel Bandeira, "Trem de Ferro", é uma aula de poesia. As crianças são apaixonadas por ele desde o início do ano. Difícil, de vocabulário rebuscado, tem como principal atração o ritmo organizado e repetitivo dos sons e palavras, que dá a impressão exata do movimento de um trem, parando e andando.
As crianças foram convidadas a ler as estrofes do poema a organizá-las na ordem correta. A dupla se saiu muito bem! Apesar do número grande de estrofes, conseguiram descobrir o que estava escrito em cada pedaço.
A ilustração foi feita em duas etapas. Primeiro, eles desenharam com guache preto e pincel um contorno forte. Depois, preencheram esses contornos com áreas pintadas com giz de cêra de diversas cores, criando um contraste de efeito muito bonito.

MÊS DE DEZEMBRO
O poema das abelhas ( mais um de Vinícius de Moraes ) é curioso para as crianças na oralidade e na escrita. A repetição de letras e a forma como o poeta arrumou as palavras nos dão a impressão do zunido da abelha voando no jardim.
As crianças valeram-se dos truques da escrita do poeta para ler o poema, organizando as estrofes, o título e o nome do autor. Depois de descobrir onde estavam as repetições de rimas e letras, ficou fácil descobrir o que estava escrito em cada pedaço de papel. Para fazer a imagem, as crianças usaram apenas o giz de cêra, tentando retratar as abelhas e o jardim.

Todos os trabalhos feitos, foi a hora de editar o calendário, e finalizá-lo. Decidimos a ordem dos poemas, casando com os meses. Fizemos todas as cópias dos textos e dos calendários em xerox. Depois, separamos as folhas de todos. As crianças fizeram todo o trabalho de colagem e organização. Foi uma loucura! Mas no final deu certo.

Hora da edição - crianças colando as folhas
Deu tão certo que os alunos me pediram para que fizéssemos mais calendários, para presentear as professoras da escola e a equipe. Fizemos uma lista dos presenteados, nos dividimos em grupos e fizemos mais desenhos. Colamos, arrumamos tudo e presenteamos... Foi um momento emocionante e especial.

Minha parceira querida Adriana recebendo o calendário da minha turma
Só não foi mais especial que o momento da entrega do calendário para os pais! Preparamos tudo, enrolamos as folhinhas como um presente, amarramos com fitilho... E presenteamos a todos na festa de final de ano.


Crianças com os calendários em mãos no dia da festa
E é isso! Missão cumprida. Volto mais tarde pra partilhar mais idéias com vocês, queridões.
Obrigada pela visita.

 Escrito por Karina às 16h29
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Metamorfose - parte 1

Tanto tempo depois, retorno aqui pra colocar uma mensagem bacana que escrevi pro meu outro blog. Tenho muito pra contar nesse também... Mas tá difícil arrumar tempo.
Mas vamos lá.
Inventamos, minha parceira Adriana e eu, de estudar os bichos de jardim com nossos alunos ( para quem não sabe, sou professora e trabalho com crianças de 5 anos ). Além de montar um terrário, estamos pesquisando os jardins da própria escola, uma unidade do SESI que também é clube. Os jardins de lá são lindos e enormes. E olhando daqui e dali, achamos, entre outros bichinhos, muitos casulos de borboletas. Aprender sobre esses bichinhos está sendo um grande aprendizado para minha vida. Penso que quando a gente não se entende mais em pensamentos e práticas demasiadamente humanas, resta lembrar que somos apenas parte da natureza, e que ela, a natureza, explica tudo. Basta olhar.


Os pequenos pesquisadores caçando casulos debaixo dos bancos

A borboleta, invertebrado da classe dos lepdópteros, deve ter surgido a cerca de 70 milhões de anos atrás. É um bichinho que causa grande fascínio por sua capacidade de transformação. Depois de se reconhecerem pelas cores e formatos das asas, machos e fêmeas flertam, cruzam, e a fêmea deposita seus ovos em uma folha, deixando-os lá e indo borboletear em outros cantos por aí. Se as condições climáticas estiverem favoráveis, a larva ( lagarta ) vai sair do ovo. Senão, ela espera. E espera, espera, espera... Até conseguir nascer. Isso é uma coisa interessante para se aprender com os embriões de borboletas - a espera e a sensibilidade às condições do ambiente. Embrião apressado é lagarta morta.

E quando nasce, a lagarta nasce voraz. Devora a própria casca do ovo, e é capaz de comer uma planta com o triplo de seu tamanho em poucos minutos. Talvez porque a lagartinha, em sua sábia programação biológica, sabe que a maior responsabilidade de ser lagarta é a de extrair do ambiente o máximo que conseguir guardar em si mesma, para que consiga ficar forte depois. A vida da lagarta, que pode durar de meses até um ano, é andar por aí e se alimentar. Como acontece com todos os animais, ela está sujeita ao ataque de predadores. Por isso, ela guarda em si uma substância ácida e fedida que pode queimar, desagradar e afungentar os bichos que tentarem devorá-la. E não hesita em usá-la quando necessário. Espertinha, essa menina.

Durante essa fase, a lagarta troca de pele várias vezes. Imagina o que aconteceria se ela resistisse em abandonar a velha pele... Iria explodir apertada dentro de uma casca que já não lhe serve mais. É que as lagartas, como a gente, crescem muito. E quando a gente cresce, deixa pra trás um pedaço de si mesma, para poder ganhar novas formas e cumprir o ciclo da vida. A lagarta, mais uma vez espertinha, não perde tempo quando está de casca nova. Começa a comer mais e mais, até crescer e ficar enorme, forte, gordinha e pronta pra virar borboleta.


Lagarta, já grande, se arrastando embaixo do banco, numa foto horrorosamente desfocada

Fiquei pensando, como a lagarta sabe que é hora de se pendurar, tecer alguns fios de seda e começar a montar um casulo? Será que ela escuta um sinal, sente alguma dor, tem alguma alucinação?


Casulo de borboleta, também chamado pupa ou crisálida, em fase inicial de formação

O fato é que, na hora certa, nem antes nem depois, ela procura um lugar seguro, muito seguro para iniciar seu processo de reclusão. Nesse momento, ela perde todas as pernas, e fica incapacitada de andar. Troca de pele uma última vez, enquanto vai tecendo seus fios. Alguns lepdópteros se enterram, ou constróem uma espécie de casinha com gravetos e fios. E pronto: ela se fecha lá dentro, e vira uma pupa ( ou crisálida, ou casulo ).

Lá dentro, nem eu e nem as crianças conseguimos descobrir direito o que acontece. Tivemos algumas informações vagas, mas saber direitinho o que acontece, não conseguimos não. Talvez porque não seja mesmo da nossa conta. Se a lagarta se fecha em pupa, é porque quer ficar sozinha e isolada do mundo, em total repouso, trocando seus tecidos e se preparado para virar uma outra coisa, totalmente diferente da lagarta. E é uma coisa que ela só pode fazer sozinha, quieta e em segredo.


Casulos de todos os tipos abrigados debaixo de um quiosque


 Escrito por Karina às 11h56
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Metamorfose - parte 2


As crianças me perguntaram se ela sente dor enquanto se transforma em borboleta. Não achei a informação correta, mas respondi a elas o que sabia: todo processo de transformação costuma ser dolorido, e quanto maior a mudança, maior a dor e maior o prazer depois de terminado. E olha que não existe mudança maior do que, de uma lagarta, um bicho rastejante, curioso, lento e pesado, virar uma borboleta, tão leve, tão bonita, tão... Tão.


Marimbondos que, junto com morcegos e pássaros, são um dos piores inimigos dos casulos de borboletas

O lugar onde fica o casulo é fundamental para a sobrevivência da borboleta. Lá, a borboleta vai ficar reclusa de uma semana a um mês; portanto, ele tem que estar bem protegido. Em nossas andanças, vimos um casulo ser atacado por um bando de marimbondos. As crianças ficaram apreensivas, mas, depois de investir ferozmente contra o casulo, eles foram embora. Não conseguiram derrubá-lo nem penetrá-lo. Aí que fomos entender como realmente é importante que a lagarta espere o tempo que for necessário até poder se fechar em pupa. Tudo em sua hora... Sem ansiedade nem pressa.


Crianças observando um casulo aberto de borboleta

Não tivemos oportunidade de observar um casulo abrindo, e nem os momentos iniciais da borboleta adulta. Mas lemos e aprendemos que, quando finalmente está pronta para sair, ela vai abrindo o casulo devagar. Este esforço de abrir o casulo é fundamental para que ela se fortaleça o suficiente para poder voar depois. Ela sai com as asas molhadas e envoltas em um líquido gosmento. Por isso, precisam ficar no sol secando, esticando as asas. Lemos que o esforço que elas fazem para esticar as asas é enorme, mas necessário. É que nascer, ou renascer, é mesmo difícil.

Depois... As borboletas começam a voar. São bichos bonitos, lindos, uma pintura em forma de bicho. Causam encantamento imediato. Dizem algumas crendices que onde a borboleta pousa, leva sorte e sorrisos. Ao contrário de suas irmãs mariposas, elas têm hábitos diurnos e amam as cores e sabores das flores. Por suas antenas, conseguem sentir cheiros e gostos. Ajudam a levar material genético de uma flor para outra, e enfeitam qualquer jardim.

A principal razão da vida da borboleta adulta é se reproduzir para reiniciar o ciclo - coisa que a lagarta não pode fazer. E, olha só que interessante: a maioria das borboletas, depois de passar cerca de um ano ( em alguns casos, bem mais que isso ) se transformando, não vive muito mais que duas semanas. Duas semaninhas só. Algumas duram apenas três dias. Pouquíssimas espécies conseguem sobreviver por uns seis meses... Mas não muito mais que isso.


Claro que as crianças ficam loucas quando vêem borboletas, saem correndo desesperadas atrás delas e espantam as coitadas, e por isso fica difícil fotografá-las. Mas fica uma aí de presente.

Essa última informação deixou as crianças desoladas. É difícil para nós, seres humanos perseguidores de ideais de beleza, leveza e felicidade parecidos com as asas das borboletas adultas, compreender porque temos que ficar tanto tempo lutando com nosso crescimento para depois aproveitar tão pouco a vida. Disse a elas o que pensava - errados somos nós, certa é a natureza. Aproveita-se a vida sempre, inclusive nas fases de lagartas e isolamento. Tudo é uma questão de ponto de vista.

A verdade é que estudar as borboletas me fez ganhar uma simpatia tremenda por esse bicho que antes era insignificante para mim - a lagarta. É que na verdade, o grande barato da coisa não é o final, mas o durante. O mais divertido, o que mais ensina, o que é mais fascinante não é ver uma borboleta voando, mas acompanhar todas as mudanças pela qual ela passa para chegar até lá. Todo processo de transformação envolve alimentar-se; envolve se sensibilizar; envolve cautela e percepção do ambiente; envolve lidar com pequenas mortes e mudanças; envolve tomar a decisão de se proteger; envolve silêncio, reclusão, paciência; envolve espera e envolve esforço. Sem isso tudo, o prazer de ser borboleta não se concretiza.

Olhar um casulo aberto é triste e feliz ao mesmo tempo. Sei lá, dá uma sensação de missão cumprida e sonho acabado. Mas é só olhar do lado pra ver uma outra largartinha começando tudo de novo. E aí a gente se dá conta da maior beleza de todas.

"Na natureza, as histórias são assim: voltam pro começo quando chegam no fim."

 Escrito por Karina às 11h56
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ÚLTIMO POST DO ANO



Queridos e queridas,
Algumas decisões importantes sobre este bloguezinho:

* O trabalho que estava realizando com os meus alunos sobre o almanaque deu super certo, e estou orgulhosíssima dele! Tanto que nem caibo em mim de felicidade... Foi muito frutífero. :-)



* Por falar no Almanaque, infelizmente, não vou publicar ainda aqui cada passo dele, só Deus sabe quando vou ter tempo de escrever. Então, fica pra depois, conforme vou conseguindo arrumar ele direitinho... Vamos ver. Mas o ano que vem tudo vai ser diferente, vou registrar um pouquinho por dia. ( Vocês acreditam? Nem eu! Hahahaha. )

* Por falar em ano que vem, já sei que classes vou pegar. No SESI, não vou pegar os pequenos, infelizmente ( fase IV, Maternal ou 1º estágio )... Mas também não vou pegar os maiorzinhos, o que pra mim já é um alívio ( 3º estágio, pré ou fase VI ). Na EMEI, onde posso escolher o que acho que é melhor pra mim, escolhi as classes novas, primeiro estágio e, pra variar, estou feliz da vida naquela escola!

* Por falar na EMEI, qualquer hora dessas, mesmo estando de férias, vou sentar aqui e escrever um texto sobre aquela escola fofa, as pessoas que trabalham lá, aquela comunidade fantástica... E um outro pra contar pra vocês sobre a escola de latinha que vai virar de alvenaria.

* Por falar em férias, desejo que vocês tenham férias maravilhosas, as minhas serão... Só de eu poder estar em casa, e com a cabeça mais leve, já vai ser ótimo. Este ano de 2004 foi de lascar. Muito estressante. Espero aprender a lidar melhor com isso ano que vem.

É isso, pessoas! Boas férias e tudo de bom procês. :-)


 Escrito por Karina às 19h37
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Ô MENINA, VEM VER NOSSO ALMANAQUE! - PARTE I





Não vai dar tempo de descrever cada aula como eu gostaria de fazer. Se eu fizer isso, não vou mais ser professora, e sim escritora, hehe. Então, vou contar aqui pra vocês como foi ou está sendo feita cada parte do nosso Almanaque.

Poucas vezes gostei tanto de fazer uma coisa em sala de aula quanto fazer esse projeto. Estou aprendendo demais, demais mesmo, e a impressão que tenho é que aprendo coisas que nem consigo saber que estou aprendendo. E isso é muito legal. :-)

Bem, lá vai.

1 - SOBRE O CALENDÁRIO E AS DATAS COMEMORATIVAS DE OUTUBRO

PASSO 1 - DECIDIR
DESAFIOS - Prestar atenção na leitura e SELECIONAR os textos e informações que fossem adequados ao que queríamos. Planejar ações que norteariam o início do nosso almanaque.

Conversei com as crianças, depois de analisarmos muitos almanaques, que esse era um livro incialmente baseado na montagem de um calendário. Como elas já tinham escolhido o mês ( outubro ), minha primeira atitude foi trazer o livro Calendário Cívico, antigo conhecido nosso, para repararmos nas principais datas de outubro, e basear nosso almanaque nelas. Trouxe também uma lista mais completa das datas de outubro, que retirei da internet, neste endereço.

Li o calendário, e eles escolheram trabalhar com o Dia Internacional do Poeta ( 4 ), Dia dos Animais ( 5 ), Dia das Crianças ( 12 ), Dia dos Professores ( 15 ), Dia do Médico ( 18 ) Dia Nacional do Livro ( 29 ) e Dia das Bruxas ( 31 ). A partir daí, definimos algumas coisas para restringir os temas que norteariam as seções do almanaque. Eu dirigi bastante essa parte, apesar de ter , e expliquei pra eles que iria ser assim porque eu conhecia melhor os tipos de textos e os assuntos, e não teríamos muito tempo para pesquisar e escrever.

Ficaram definido alguns passos:
* As curiosidades que pesquisaríamos seriam sobre animais;
* Para o dia dos professores, faríamos entrevistas com as professoras da escola;
* Colocaríamos algo no almanaque explicando o que era o Dia das Bruxas e faríamos desenhos;
* As dicas seriam de livros que gostamos;
* Escreveríamos poesias no almanaque, e falaríamos do dia do poeta;
* Falaríamos um pouco sobre vacinação das crianças para comemorar o dia do médico.
* Falaríamos sobre os Direitos das Crianças, trabalho infantil, brincadeiras e escreveríamos a música "Criança não Trabalha", para marcar bem que o nosso almanaque era do mês de outubro.

PASSO 2 - DESENHAR O CALENDÁRIO
DESAFIOS - Unir as informações que eles já tinham sobre o calendário para construir um do mês de outubro. Organizar números e letras para escrever as datas e marcar as principais comemorações do mês.

Em um outro dia ( não me perguntem datas, que eu não sei mesmo ), fizemos um calendário, marcando os dias de outubro ( de 1 a 31 ), e em alguns deles fazendo as anotações das datas comemorativas. Todos fizeram. Algumas crianças não conseguiram terminar, mas a maioria fez e cumpriu os objetivos.

PASSO 3 - SELECIONAR TEXTOS SOBRE AS DATAS
DESAFIOS - Na hora da leitura, prestar atenção às informações e pensar qual texto era o mais adequado para nós ( ou seja, pensar no que é um bom texto informativo ). Pensar no leitor do almanaque e o que precisamos fazer para que ele entenda nossa escrita.

Em um outro dia, quando estávamos fazendo atividades diferentes por grupo, seis crianças fizeram pequenos desenhos sobre as datas comemorativas. Procurei um texto na internet, contando a origem de cada data. Eu li um, e pedi que algumas crianças que já estão alfabéticas lessem outros ( tomei o cuidado de, para as mais experientes, colocar letra de forma minúscula, e para as mais experientes, colocar só letras maiúsculas, assim ambas teriam um desafio nesse dia ). Eles fizeram a escolha de quais iríamos colocar no almanaque. Eles também acharam legal colocar uma lista com todas as outras datas que não escolhemos. Peguei a lista, li novamente e disse que ela estava muito grande. Cortamos, então, as datas que consideramos menos relevantes, ou por serem de grupos muito específicos ( dia do controlador de vôo, por exemplo ), ou por serem datas de nascimentos e acontecimentos históricos que eles não compreenderam.

Minha tarefa foi arrumar todos esses textos no computador para ficarem prontos para a publicação.

E ficar contente por eles estarem tão afiados em tomar decisões como essas. :-)

 Escrito por Karina às 15h04
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TEMPUS FUGIT


"Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
A vida não pára.

Enquanto o tempo acelera e pede pressa,
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa...
A vida tão rara.

Enquanto todo mundo espera a cura do mal,
E a loucura finge que isso tudo é normal,
Eu finjo ter paciência.

O mundo vai girando cada vez mais veloz,
A gente espera do mundo, o mundo espera de nós:
Um pouco mais de paciência.

Será que é o tempo que me falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara... Tão rara...

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma,
Eu sei, a vida não pára... A vida não pára..."
( Lenine - Paciência )


Por que abandonei por um tempo este blog? Talvez, por medo de abandonar a mim mesma... E resolvi voltar à ativa por aqui escrevendo ( já que ultimamente penso escrevendo ) sobre o tempo.

É que o tempo anda me escapando, fugindo de mim, e os dias passam cada vez mais rápido. Trabalhar em duas escolas e em mais um emprego, estudar, ler, trocar idéias com os colegas de trabalho, planejar, registrar, escrever. Nada disso é muito fácil, nem muito simples, principalmente se você quer fazer bem feito. E de repente, no meio da papelada, dos compromissos e dos dias que passam voando, eu paro... E sinto falta da minha vida.

Dia desses tirei a tarde de folga, e cheguei em casa antes do meio-dia. Dei de cara com a minha afilhadinha de um ano e meio, que eu vejo de relance todos os dias no final da tarde. Finalmente teríamos algum tempo pra ficar juntas, eu a mãe dela e minha avó, que me pareceu ter ainda mais rugas e cabelos brancos do que consigo ver diariamente, quando vou lá pedir a benção dela correndo e mal presto atenção em como ela está. A menininha pulou no meu colo, brincamos, cantamos, contei história pra ela, ri com as coisas que minha avó diz, e quase chorei quando ela disse, "estava com saudades de você". Almocei com calma, conversando com meu irmão, minha amiga, saboreando cada bocada da comida com prazer.

Minha caixa de emails com algumas dezenas de mensagens. As pessoais, tentei responder. E as impessoais, tentei pelo menos ler. O aquário do meu tartarugo, estava imundo... Passou dias e dias do tempo de limpá-lo, e talvez por isso o Fifonho estivesse no maior mau humor do mundo, parado em cima de uma pedra há dias, se recusando a ser maltratado nadando na água turva do meu descaso. Minhas plantinhas, secas; algumas morreram, outras estão cheias de bichos. Na dispensa, os ingredientes pra fazer uma receita que eu queria provar há mais de dois meses, e que eu ainda não tive tempo de fazer.

Peguei no telefone, talvez fosse a hora de colocar as ligações em dia. Amigos e queridos que me ligam quando estou no trânsito, que deixam recado quando não me acham aqui, que me mandam mensagens, "menina, onde você anda? Me liga, quero saber de você...". Fiz uma listinha. Só de começo, 15 nomes. Gente que eu não tive tempo de cumprimentar no aniversário, que eu atendi mal porque estava com pressa, que eu não consegui corresponder ao afeto, ou de quem simplesmente sinto saudade, aquela saudade que aperta o peito. Só liguei pra uma pessoa... As outras, ficaram pra depois.

No meu quarto, livros fechados, tintas para pintar meus quadrinhos secas, o bordado parado, presentes que não entreguei, a flauta que eu queria aprender a tocar jogada num canto, esperando pela chance de ser usada. Mexi no armário, e vi as cartas de um ex namorado, tantas, e tão enormes, e pensei, como tínhamos tempo de escrever tanto, todos os dias, um para o outro? Um pouco antes, tinha atendido um telefonema de um moço que tem balançado algo aqui dentro, e fiquei assim, à toa, com o som da voz dele no ouvido me fazendo sorrir boboca, deitada na cama da minha mãe, pensando em tudo, em nada, olhando pro teto e deixando a TV baixinha... E dormi. Dormi profundamente. A impressão que tenho é que, durante a semana, só durmo superficialmente, preocupada com tudo que tem acontecido, com tudo que tanta gente, em tantos lugares, exije de mim. E nessa tarde, eu dormi tão gostoso e tão intenso que até sonhei. E quando acordei no final da tarde, lembrei do meu sonho todo, e percebi há quanto tempo estou longe de mim. Tomei um banho longo... Que delícia que é ter tempo para as coisas que a vida tem de bom.

Tempus fugit, vita brevis. O tempo foge, a vida é curta. A expressão em latim, tão usada por poetas, religiosos, escritores, pintores e pensadores me disseca e me recompõe com precisão. Onde foi que eu deixei de segurar o leme da minha vida, e deixei ela correr na minha frente desse jeito? Não dá. Não pode. Quero o tempo na minha mão. Não para segurá-lo, nem para retorná-lo. Mas para fazer com ele o que eu acho que é bom fazer, e não deixando as coisas se fazerem sozinhas, a minha revelia.

Quero aprender muito, ser uma professora melhor, estudar, tentar outras coisas diferentes. Mas também quero outras coisas. Quero voltar a ter tempo pros amigos. Quero os meus finais de semana de volta. Quero me apaixonar perdidamente de novo e poder ficar sonhando acordada, perdendo tempo com pensamentos românticos e beijo na boca. Quero voltar pro consultório de Psicologia, quero terminar a faculdade de Pedagogia sem sofrer. Quero sessão de cinema semanal, quero passeio à toa, quero ligações longas, quero cuidar da minha casa e da minha vida, quero fazer planos, cozinhar, viajar, pensar no futuro, ter filhos e um jardim bem grande. E quero ter tempo de sonhar, que sem sonho, nada de significativo posso fazer. E quero também continuar a escrever aqui e nos outros cantos que eu escrevo, porque isso me faz bem. Não quero mais perder tempo com bobagens, com pessoas que não são capazes de doar, de sentir, de valorizar a mim e o que eu posso trocar. Quero vida com V maiúsculo.

Ainda não sei como achar um meio termo em tudo isso... Mas sei que querendo, eu vou achar um jeito. Por hora, fica apenas a vontade de fazer tudo ao mesmo tempo, e a consciência de que, na vida, minhas prioridades são mais importantes que tudo. Eu não vou fugir do tempo, vou aproveitá-lo. Ele é que corra de mim. :-)

Ouvi a canção do Belchior... E pensei. É isso mesmo que eu quero. Deixo ela aí pra vocês. :-)

"Eu estou muito cansado
Do peso da minha cabeça
Desses dez anos passados, presentes
Vividos entre o sonho e o som

Eu estou muito cansado de não poder
De não poder falar palavra
Sobre essas coisas sem jeito
Que eu trago em meu peito
E acho tão bom

Quero uma balada nova
Falando de brotos, de coisas assim
De money, de banho de lua, de ti e de mim
Um cara tão sentimental

Quero a sessão de cinema das cinco
Para beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom."


Volto pra contar um pouco sobre o almanaque, e tudo que tenho aprendido com ele. E olha, não é pouco não... :-)

 Escrito por Karina às 22h20
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DIA DO PROFESSOR

"Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda.
Sou professor a favor da luta constante contra qualuqer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais.
Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura.
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo.
Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o risco de se amofinar e de já não ser testemunho que deve ser de lutador pertinaz, que cansa, mas não desiste."


Paulo Freire - Pedagogia da Autonomia

Feliz dia do Professor, colegas...

Não desisti deste blog, não. Logo volto. :-)




 Escrito por Karina às 00h29
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NOVA AULA SOBRE ALMANAQUE - AGRUPAMENTOS PRODUTIVOS


A coisa vem caminhando. Todos os dias lemos um pouco de textos de almanaque, deixei alguns à disposição para que as crianças conheçam melhor e todos os dias eu escuto, ainda na fila na hora da entrada:

- Prô, é hoje que vamos fazer o almanaque? Hein?

Bom sinal.

Eles decidiram que vamos guardar tudo que formos selecionando, desenhando e escrevendo em uma caixa, chamada caixa do almanaque. Achei a idéia super bacana, a caixa é mais divertida e cabe mais coisas. Eu teria pensado em uma pastinha.

Tivemos uma supervisão jóia, Ana e eu, com a Maria Virgínia, do Instituto Avisa-lá. Pra quem não sabe, é uma oportunidade de ouro. O Avisa-lá é uma das mais sérias e reconhecidas instituições que cuidam da Educação Infantil, e está assessorando o SESI, que também não é fraco não quando o assunto é formação de professores.

Ela nos deu um toque importante, sobre a coisa de compartilhar o projeto didático com as crianças. Apesar de eu ter curtido e muito todo aquele papo das crianças não saberem o que é almanaque, e de termos descoberto muita coisa juntos com isso, sem saber o que é que íamos fazer elas não participaram das decisões sobre o projeto desde o início. Fiquei com a afirmação dela... Mas com dúvidas que eu nem sei direito quais são. Acho que ainda vou pensar sobre isso algum tempo.

Mas conversamos também sobre como organizar o trabalho, visto que as crianças querem fazer tantas coisas e os nossos objetivos didáticos são muitos. E ela deu uma boa clareada nos sugerindo separar as tarefas de acordo com as situações didáticas que queremos criar.

Um dos objetivos é que as crianças pensem sobre as letrinhas, como elas se agrupam e como formam palavras. Ou seja, se concentrem no sistema de escrita e avancem em suas conquistas de alfabetização. E um dos tipos de texto que eles escolheram para formar o almanaque é o poema. Eles fizeram um sarau poético no semestre passado, sabem vários poemas de cor. Enfim, a corda e caçamba. Tendo o poema na cabeça, eles não precisam se preocupar em criar um texto; apenas se preocupar em como escrevê-lo, com que letras e palavras.

Tenho aprendido no PROFA, em algumas leituras e com alguns toques da Virgínia também, que a melhor forma de organizar as crianças é nos tais agrupamentos produtivos. Isso quer dizer dar tarefas diferentes para crianças diferentes. Pra quem não sabe, temos crianças em vários níveis na sala. Crianças que já sabem ler e escrever, outras que estão quase lá e outras que estão no começo deste processo. Para fazer duplas, trios e grupos dessas crianças, precisamos conhecer bem cada uma, o que sabem e qual o desafio adequado para cada uma delas. Em suma... Planejar uma aula dessas é um trabalho insano. Hehe. Mas vale a pena.

Conversamos sobre quais poemas teriam no nosso almanaque. Eles sugeriram alguns, e partimos para escrevê-los. Dei alguns toques pra eles sobre o tamanho da letra, o espaço, o número, sempre tentando jogar pra eles as decisões finais. E, o toque mais importante - não podemos deixar nada escrito de uma maneira que as pessoas não consigam ler no nosso almanaque. Não podemos também deixar palavras escritas de modo errado. Então, temos que lembrar do nosso leitor. E temos que entender que revisar um texto é quase tão importante quanto escrevê-lo.

Dividi as crianças em trios, e fiz um grupo de 4 crianças que precisariam estar comigo nesse momento, que têm uma hipótese silábica inicial de escrita. As outras, começaram a escrever poemas diferentes, com a ajuda dos livros. Os alfabéticos ditavam, os silábico-alfabéticos escreviam e os outros silábicos também. E assim eles todos começaram a trabalhar. Saía fumacinha da cabeça de todo mundo ali, inclusive da minha.

Depois de observá-los um pouco, e tentando entender que não seria possível dar assistência a todos os grupos de maneira particular, parti pra uma análise mais sistemática com o Matheus, a Giovanninha, a Kethleen e a Nathália. Nesse grupo, eles me ditavam o poema das Borboletas, do Vinícius, e me diziam que letras eu deveria colocar. Percebi que duas dessas crianças começaram a superar a hipótese silábica sem valor sonoro. E lá fomos nós.

- Como eu escrevo amarelas?
- A...
- A de novo...
- E...
- A... Não, é T... Não é L... Ai, não sei.

Escrevi o seguinte no papel:

A A E A

E perguntei:

- É assim?

Todos concordaram. Pedi que um deles lesse, e o Matheus leu apontando cada letra, A-MA-RE-LAS.

- Mas peraí... A, MA, LAS, a gente escreve do mesmo jeito?

Eles me olharam e concordaram com a cabeça.

- Mas então, se escreve do mesmo jeito, por que a gente fala diferente?

Se ponto de interrogação tivesse cara, seria a deles naquele momento... Ficaram me olhando, olhando o papel. Outra criança que estava por perto esperando pra me mostrar o que tinha feito disse:

- Ué, não é só o A. Tem mais letra.

- Sim, isso mesmo. O A sozinho é só A. ( Virei a folha e fui escrevendo. ) Me digam como escreve MA, LA, DA, XA, ZA...

Eles foram dizendo, A, A, A, A. Escrevi um embaixo do outro. Aí pedi que lessem o que estava escrito. Eles ficaram olhando pro papel em silêncio, depois deram uma risadinha... E a Kethleen disse.

- Não dá pra ler.

- Por quê?

- Porque eu esqueci o que você escreveu, qual era qual.

Chamei um aluno pra ler. Ele leu, A, A, A, A, A.

Aí coloquei as consoantes do lado:

DA
PA
MA
LA
XA


E pedi pra ele ler de novo, e ele leu as sílabas corretamente. Os 4 ficaram me olhando com cara de dúvida. Virei o papel e escrevi:

AMARELAS

E pedi pro mesmo aluno ler. Eles 4 ficaram me olhando, e eu disse:

- Sabe o que é? Apesar da gente abrir a boca 4 vezes pra falar AMARELAS, essa palavra tem 8 letras. ( Mostrei com o lápis ). Vamos pensar melhor sobre isso na próxima aula...

Passei recolhendo as produções. Apesar de ficarem a aula inteira trabalhando, ninguém conseguiu terminar de escrever um poema. Preciso planejar melhor a aula, agora que já sei quais os poemas que eles escolheram, e tentar de novo. Mas, como primeira experiência, nesse nível.. Achei que valeu demais. Só preciso de um pouco mais de organização pra os grupos realmente trabalharem melhor.

Hora do lanche de novo.


 Escrito por Karina às 18h22
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A PARCERIA


Nascemos sós. E por mais que a nossa busca maior na vida seja conviver com os outros, e por mais que a nossa volta hajam milhares de pessoas, vivemos e morremos sós. Somos sozinhos em nossos pensamentos, em nossos delírios oníricos, em nossos desejos secretos. Somos sós em nossas aspirações, conclusões e escolhas. E sendo assim, tão triste a realidade da solidão, parece estranho pensar que é a parceria quem torna a vida menos fugidia e mais cheia de sentido.

Temos parceiros no amor, na amizade, no jogo de volêi, nas brincadeiras da infância, nos trabalhos de escola, no consórcio da casa. Algumas vezes, o parceiro é um amigo. Outras vezes, é um desconhecido útil. Outras vezes ainda, é só um parceiro. E em algumas vezes, nem mesmo gosta de você. Mas não faz mal. O importante é que os parceiros são aqueles que se unem para fazer algo em comum. E fazem.

Quando o assunto é parceria de trabalho, nem sempre há consenso. Algumas escolas não só não incentivam como proíbem que as professoras conversem e trabalhem juntas. Outras, obrigam o contrário, pensando que a parceria pode ser simplesmente institucionalizada como um bem necessário, imposta. Em algumas escolas, os parceiros se escolhem. Outras, são escolhidos. Acredito eu que o trabalho em parceria é algo que deve ser conquistado, refletido e repensado sempre, não como um arranjo técnico, mas como uma possibilidade democrática de convivência e construção do conhecimento pedagógico. Mas é difícil ver quem leve isso a sério. A verdade é que nesses quase 12 anos de magistério eu já vi muita coisa, mas poucas vezes vi alguém, em um momento de parada pedagógica, falar seriamente sobre a parceria, o que ela contribui para o trabalho do dia-a-dia e como pode ser melhorada. Acho que pensar melhor a parceria entre as professoras é uma mina de ouro que boa parte das escolas ainda não descobriram.

Esclareçamos. Estar junto nem sempre é estar em parceria. Parceiro não "rouba" idéias, compartilha. Parceiro não adula gratuitamente, mas puxa a orelha quando é necessário. Parceiro não esconde o que faz de bom, mostra para que você faça também. Parceiro não concorda com tudo, mas expõe os pontos de vista. Parceiro não puxa tapete, mas entende que o seu sucesso é o sucesso dele também. Parceiro avisa quando o seu aluno está despencando do escorregador, segura a onda da sua sala quando você não aguenta de vontade de ir ao banheiro, dá um toque de que você está pisando na bola, esclarece aquele ponto que você não entendeu, contribui para que você cresça e aprenda. O parceiro é aquele que elogia quando ninguém parece dar bola para o que você faz, e critica construtivamente o seu trabalho de uma maneira que só quem acompanha de perto pode fazer. O parceiro é uma extensão dos seus olhos, ouvidos e boca profissionais, e deixa que você seja alguém assim pra ele também. Como naquela corrida de bastões, como em revezamento de nadadores, como tênis de duplas, como esquema tático de futebol. Cada um na sua, mas todos juntos para um objetivo comum.

Nem sempre é preciso amizade em uma parceria, mas é preciso afinidade. Sem pensar parecido, parceiros não se entendem. Há experiências traumáticas, e talvez seja por isso que tem quem jure que é melhor trabalhar sozinho. Com certeza, é muito mais fácil fazer tudo do seu jeito do que tentar um acordo, principalmente se a diferença com a outra pessoa é grande. E em algumas horas, o trabalho solitário é necessário mesmo. Estar sozinho é bom para fazer coisas que ninguém pode fazer com e por você, para colocar em prática idéias que são só suas, e que você ainda não achou jeito de compartilhar. Há que se respeitar a individualidade para que ela não seja tão sufocada ao ponto de perdermos a identidade. Porém, na maior parte das vezes, é o trabalho em parceria que enche de riqueza as nossas vidas, nossas salas de aula.

Cada parceiro é de um jeito. Eu sou assim, meio desorganizada, detesto qualquer tipo de controle cego, não me submeto a uma rotina a não ser que me convença da necessidade dela. Sou bagunceira, escrevo demais, falo o mesmo tanto, misturo papéis, tenho idéias o tempo todo de um jeito quase compulsivo, dificilmente levo preocupações comigo que durem mais de uma semana e gosto de observar, intuir e sentir mais do que analisar, contabilizar e quantificar. E sendo desse jeito, já trabalhei com muita gente diferente de mim, e gente parecida também. E cada uma das pessoas com quem estive me acrescentou muitas coisas, mudaram coisas em mim. Tenho certeza que no trabalho que eu faço hoje tem um pouquinho de cada parceiro que já tive na vida.

Claro, nem sempre tudo é lindo, gostoso, divertido. O preço da parceria é a dificuldade do ajuste, do entendimento. É necessário abrir mão de algumas coisas, é necessário assumir erros que não são seus, é necessário ter paciência e muita clareza de objetivos. É necessário ter humildade para não bancar a sabichona o tempo todo, e ter segurança para sustentar o que se pensa quando se tem como parceiro alguém que sufoca. É necessário ter a sabedoria e o jogo de cintura para saber quando é a hora de respeitar as diferenças individuais e quando é a hora de modificar essas mesmas diferenças, sempre em prol de um bom trabalho. E tudo isso é um aprendizado longo, que nunca acaba.

Mas, pessoalmente falando, não posso reclamar, não. Sempre tive sorte nas minhas parcerias. Eu tenho boas lembranças dos parceiros com quem já estive. Alguns se tornaram bons amigos que eu guardo em lugar sagrado no coração, e vou guardar pra sempre. Outros, passaram e se foram. Mas sempre deixaram boas coisas comigo.

Por isso, quero agradecer a todos eles por terem me ensinado, dividido sorrisos e lágrimas, por terem xingado, concordado e discordado de mim, por terem dividido trabalho, por terem me ajudado e amparado, por terem sido companheiros em horas em que eu mesma não consegui ser. E um beijo especial as minhas duas parceiras atuais, a Ana e a Deborah, por me aguentarem mais de perto todos os dias. :-)

"Sozinhos, vamos mais rápido. Mas juntos, chegamos mais longe."

 Escrito por Karina às 16h17
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QUARTA AULA SOBRE ALMANAQUE - Planejando o Caminho



E eis que depois de um feriado prolongado ( pra nós prôs, não tão prolongado assim... Afinal, trabalhamos segunda-feira ), as crianças retornam à escola com uma preguiça fenomenal. Só não era maior que a minha. Hehe.
Mas isso durou até lermos o jornal que um deles trouxe para a hora da leitura. Eram duas notícias do Jornal da Tarde. Uma que falava sobre um rapaz que ia se casar e, sonâmbulo, caiu do segundo andar de um prédio... E uma outra sobre uma mulher iraniana que pariu 7 ( vejam bem, 7!!! ) crianças de uma vez. Conversamos um pouco sobre as notícias, e rimos à beça. Cantamos, contamos, trocamos umas idéias daquelas que só cabem na roda de conversa... E lá fui eu falar sobre o Almanaque.
Pra ser bem sincera, eu estava com medo dessa aula. Medo porque ela evidenciaria a maior dificuldade deste projeto: restringir o que parece quase infinito. Não sabia direito como ia conduzi-los sem decidir por eles, mas resolvi respirar fundo e meter a cara. É a aula em que eles tinham que decidir:
- O que ia ter no nosso almanaque;
- Como ele vai ser editado ( primeiras idéias );
- Que tema ele vai ter;
- Como vai ser ilustrado;

E o mais importante, coisa que eu nem fazia a menor idéia:
- Por onde vamos começar?
Entreguei alguns almanaques para cada grupo, e deixei eles xeretando enquanto eu escrevia na lousa:
- O QUE TEM NO ALMANAQUE?
Uma das crianças leu, e colocou ordem no burburinho por mim.
- Olha lá, gente, a prô vai escrever na lousa, shhhhhhhhhhhh!
Ele mesmo leu o que estava escrito e pedi que eles começassem a dizer, com calma, pra eu poder ter tempo de escrever.
Eis a pequena lista:
* Passatempos ( jogo dos 7 erros, cruzadinha, caça-palavras, ligue pontos, para colorir );
* Letra de Música;
* Poema;
* Informações;
* Adivinhas;
* Histórias;
* Quadrinhos;
* Piadas;
* Figuras;
* Fotos;
* Dicas;
* Entrevista;
* Signo;
* Você Sabia?;
* Calendário;
* Carta Enigmática;
* Brincadeiras;
* Notícias;
* Como Fazer;
* Receitas.

Pedi que eles olhassem pra lousa e reparassem quanta coisa estava escrita. E que me dessem as primeiras idéias sobre como ia ser o nosso almanaque. Eles começaram a falar muito do Almanaque da Ruth Rocha, que era o mais legal. Pedi que observassem esse e outros almanaques que eles tinham em mãos e fui orientando com algumas perguntas. E eles chegaram às seguintes conclusões:
* Cada um vai ter o seu almanaque;
* Vamos fazer em papel bem colorido;
* Vamos dar um jeito de colocar todas as coisas que estavam escritas na lousa no nosso almanaque ( ai... );
* A capa vai ser de papel duro e desenhada ( eles não conseguiram entrar em um consenso se faríamos uma só com desenhos de todos, ou se cada um faria o seu, então sugeri que pensássemos nisso depois );

Então eles disseram que podíamos fazer um almanaque do tamanho do da Ruth Rocha. Essa era a hora em que eu devia enconstá-los na parede com um monte de questões práticas pra fazê-los chegar à conslusão de que não daria. Mas me atropelei e cortei eu mesma a idéia. Expliquei que a Ruth Rocha demorou bastante tempo pra fazer aquele livro, que ela devia ter muita vivência com almanaques e que já conhecia bem como eles eram, o que não era o nosso caso. Disse que o escritor, quando escrevia um livro, muitas vezes se dedicava a isso muitas horas por dia, um tempo que não tínhamos. Então, uma criança deu uma idéia genial:
- Por que a gente não chama ela pra conversar com a gente e ajudar a gente a escrever o nosso almanaque?
- É! Aí a gente pergunta pra ela também coisas sobre a Odisséia! ( Estou lendo a Odisséia às quintas-feiras pra eles, e eles sabem que foi ela quem adaptou o livro que estou usando ).
Começou um barulho imenso na sala, todos falando ao mesmo tempo.
Expliquei que ela era uma escritora famosa, muito ocupada, e que provavelmente não conseguiríamos trazer ela até à escola... Questão prática. E se conseguíssemos, talvez demorasse tanto que não daria mais tempo de fazer nada depois. Então, depois de um silêncio, a mesma menina disse:
- Oras, então vamos escrever uma carta pra ela! Carta é mais fácil!
Claro! Uma carta! Oportunidade de ouro! Achei ótima a idéia, e disse que era a primeira coisa que íamos fazer.
Faltava algo muito importante. Eu colocar na cabeça deles que não dava pra fazer um almanaque do ano todo. Foi difícil colocar na minha, imagina na deles! Mas tentei. Expliquei que não dava. E perguntei se eles tinham entendido uma coisa fundamental sobre o almanaque: que ele se refere a determinada época ou período. E vi que não tinham entendido muito bem isso, não.
Mostrei nos almanaques das mesas essas referências a anos ou meses, ou mesmo a períodos específicos. E pedi que eles me dessem idéias de para quais meses ou períodos podíamos montar nosso almanaque.
Uma nova listinha, e a cada sugestão, uma avalanche de idéias, desde o que podia ser escrito, até quem podia ser entrevistado, até como podíamos ilustrar e enfeitar as páginas.
* Esportes;
* Futebol;
* Festa Junina;
* Namorados;
* Natal;
* Páscoa;
* Verão;
* Dia das Crianças;
* Dia dos Pais;
* Dia das Mães;
* Inverno;
* Primavera;
* Férias.

Sugeri que votássemos. E pra botar mais lenha na fogueira, juntei algumas sugestões minhas com a deles e tentei tornar todos os temas atraentes ao máximo, dizendo um monte de coisas que poderíamos fazer em cada almanaque. Relacionei os temas com os meses correspondentes. Algumas crianças, pelo que percebi, internalizaram bem esse ponto da estrutura do portador. Outras, não conseguiram. Mas não faz mal, temos muito tempo ainda.
A votação demorou um tempão, porque eles não conseguiam decidir. Tudo parecia legal. Disse a eles que isso era uma amostra da dificuldade que teríamos pra selecionar os textos, imagens e idéias. Mas eles não se importaram. Eu continuava ansiosa.
Por escolha apertada ( os votos ficaram muito divididos ), eles escolheram que vamos fazer um almanaque de DIA DAS CRIANÇAS.
Percebi que a minha ansiedade, na verdade, era só uma ansiedade mesmo. Delimitado o tema, e as primeiras idéias, o trabalho passou a ter um norte. Claro, ainda vou ter que pensar, e muito, sobre como vamos trabalhar com tantos tipos de texto.. Qual deles vou priorizar, e que estratégias vou usar para envolver o grupo no trabalho, sem perder os meus objetivos didáticos. Mas percebi que, dividindo as decisões com eles, fica mais fácil. E mais divertido também.
Escrevi tudo em cartazes, e dei uma sugestão ( menos, mas ainda ansiosa ):
- Crianças, pra gente não se perder, que tal se montássemos uma lista de tarefas?
- Como assim?
- Ah, eu faço um quadro grandão e vou anotando, aos poucos, tudo que a gente tem que fazer. Olha, eu tenho que contar pra vocês que estou com medo de me perder no meio dessa história toda, porque vamos ter muita coisa pra fazer. Esse quadro me ajudaria muito, e acho que vai ajudar a vocês também. Que tal?
Eles concordaram, e fiz o quadro - "o que tem que ser feito", "quem vai fazer" e "outras observações". Anotei lá a primeira tarefa, e aproveitei pra combiná-la com eles: escrever a carta pra Ruth Rocha. Ficou combinado que faríamos a carta em grupo, na lousa, e que eu me encarregaria de mandá-la.
A hora do lanche já tinha passado... E eu saí da aula de barriga cheia. Pelo menos até começar a dar fome de novo.

 Escrito por Karina às 21h47
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ARRUMANDO A CASA



Fiquei tão contente com o número de visitas, os comentários e as conversas que estão surgindo através deste blog que resolvi dar uma arrumada na casa. Coloquei imagens, cores, fiz dos "links" links de verdade e já, já volto pra contar como foi mais uma aula sobre Almanaque.

E pra quem perguntou, não me esqueci da escola da tarde, não. Os meus bebês de lá são muito, muito queridos, fofos e inteligentes, e estão fazendo coisas simplesmente maravilhosas. É só o tempo que me escorre dos dedos mesmo, sem que eu dê conta de fazer tudo que queria... Mas quando eu resolver falar deles, vocês vão ver que manteiga derretida que eu viro. :-)

Obrigada a quem veio, seja colega de trabalho, ex-aluno, amigo, amiga, leitor do outro blog, chefes, ex-chefes, ou pessoas que simplesmente caíram de pára-quedas. :-)

Bem vindos.

Deixo pra vocês uma música do meu muso, Chico Buarque, que fala sobre essa coisa da união e da força.

Salut! :-)



Todos juntos
Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1977
Para o musical infantil Os saltimbancos



1ª versão*
Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bichinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá

Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

Uma gata, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá

Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

E no entanto dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós.

Para o musical infantil Os saltimbancos 1977*



 Escrito por Karina às 20h30
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RECOMENDAÇÃO A UMA PROFESSORA INICIANTE



Mais um trabalhinho do PROFA...
Meu blog pessoal anda meio abandonadinho, ando com uma necessidade maior de escrever coisas sobre o meu trabalho. No fundo, eu só queria que minha mão escrevesse mais rápido pra eu poder dar conta de tudo que tenho que fazer... Ai, ai. Bem, lá vai.

RECOMENDAÇÃO A UMA PROFESSORA INICIANTE

Antes de tudo, apaixone-se pela idéia de alfabetizar. Não é fácil, é angustiante, dá medo, e freqüentemente pode parecer que tudo vai dar errado. Quando isso acontecer, não fuja, tente. Alfabetizar é possível, e é uma alegria imensa.
Antes de ensinar, aprenda um pouco. Aprenda a enxergar seu aluno como uma pessoa, não como um instrumento de trabalho. Uma pessoa tem história, tem vontade, tem facilidades, tem problemas, tem medos, vergonhas, expectativas. Conheça essa pessoa, olhe nos olhos, ouça, compreenda, critique construtivamente, tenha olhos curiosos para ela. Abra sua mente, rejeite o ímpeto de poder que pode tomar conta de você. Divida o espaço da aula. Você não é a estrela. Pelo menos não a única. Todos ali são.
Entenda que o ensinar é uma coisa, o aprender é outra. O aprender, nem sempre você pode controlar. Mas o ensinar, sim. Não há quem aprenda sem ter alguém que ensine. Então, ensine. Busque novas maneiras de fazê-lo a cada dia. Não se dê por vencida, desafie a si mesma e a seus alunos. Esqueça as respostas prontas, mas aprenda a observar e aproveitar as idéias dos outros, e fornecer as suas. E para isso, tenha as suas próprias idéias. Não tenha medo, crie! O ensinar é um prazer. Não deixe que ele se perca em burocracias, exigências, costumes inúteis. Seja livre, e deixe que os outros sejam também. Mas planeje, avalie, mude se for preciso. Não tenha medo de mudanças.
Sorria, troque, brinque, cante, jogue conversa fora. Estude, estude muito sobre o que dizem sobre a leitura e a escrita. Goste de novidades, goste de antiguidades. Se não concordar, repense. E se ainda assim não concordar, critique. Mas sempre dê uma chance de ouvir antes de rejeitar. Convide os teóricos para uma conversa, um café amigável em sua sala de estar mental. Em uma conversa se ouve, mas se fala também. Aprimore-se nesse diálogo.
Compreenda que ler e escrever é um aprendizado que vai além de dizer o nome das letras. Como todo aprendizado, ele é lento, cheio de idas e voltas, e às vezes é doloroso. Sofra e se alegre com cada passo, envolva-se.
Não negue conhecimento aos seus alunos. Isso, além de feio, é injusto. Educação é democracia. Informe, divirta, corrija, estimule, acompanhe. Isso tudo é parte de seu trabalho; não esqueça disso.
Traga para sua classe livros, revistas, receitas, jornais, folhetos, calendários, poemas, gibis, cartas e tudo o mais que puder ser lido. E leia para seus alunos. Leia, leia muito. Tenha prazer na leitura. Escreva para que seus alunos vejam. Mostre o quanto pode ser bom usar as letras para comunicar idéias. E deixe que eles se arrisquem a escrever. Que eles escrevam muito, muito mesmo. E não tenha medo que eles errem, eles vão errar. Mas, assim como você, eles estão aprendendo.
E se, feito tudo isso, você perceber que seus alunos aprenderam, fique contente por saber a verdade mais linda: ensinando, aprendemos muito mais. Boa sorte. Bom trabalho.



 Escrito por Karina às 11h33
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Pirituba, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Música
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